Sempre quis cores de colibris
E suspiro de almas angelicais...
Mas sou roto animal,
Revestido de carne abissal.
Sempre quis o verde impreciso,
E as palavras certas dos sábios,
Mas sou correnteza fugidia,
Que se irradia conforme o certame...
Sou lamentavelmente óbvio,
Apesar do não dito, fica em cada
Palavra a sobreposição das falas,
Que ouvidos precisos captam...
Mas enfim, quis cores de girassóis,
Manhãs de azul infinito, portos tranquilos
E mares de azul profundo, porém ao sul,
As tonalidades são outras.
II
Se eu fosse vento madrugada adentro,
Ou luz no desembarque do aeroporto,
Talvez então a efêmera importância
Das coisas não retirassem minhas rimas...
E se meu ser fosse
translúcido, pleno de
Luzes em matizes coloridos, como seria
Bom ser partícula divina, átomo nobre,
Co-criador do universo...
Se eu fosse mar , profundo azul irrequieto,
Verde incerto e vagas atemporais, então
Estaria mais condizente com o espelho
E no escuro fico triste com o que vejo.
Se eu fosse chuva, não uma específica,
Mas todas, uma chuva confortante de verão,
Ou a chuva inspiradora do inverno, quem
Sabe até a tempestade desesperadora dos náufragos...
Então não precisaria de traduções,
Nem de pedidos de desculpa,
Não precisaria de perdão,
Ou de lágrimas invisíveis ao sul.
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