domingo, 30 de dezembro de 2012

Arthur Pires


"Meu filho, meu besouro." Cadão Volpato

Em teu sorriso me ilumino,
E em um dia de sol tu ficas
Perfeito...

Atemporalidades herdadas,
No DNA  cósmico de Deus,
E vou aprendendo a te decifrar...

Me tranquilizo no sexto sentido,
Que como sentinela me avisa,
Dos perigos no teu caminho...

E na oração sei que Jesus escuta,
O pai que pede pelo filho em suas
Lições e aprendizado.

És minha semente e esperança,
E me orgulho de te ver crescer,
Em alegria e amor no coração.

Sempre estarei contigo,
No silencio das madrugadas,
No dia longo e sob todos os climas.

Pois teu olhar ilumina o meu,
Meu abraço espera o teu e não
Há distancia que me separe de te.

( Sei que vês constelações e estrelas cadentes,
   Surgindo do nascente distante...) 

Translação


Vejo o céu azul e teus olhos não estão comigo,
E sinto um profundo vazio que se estende ao
Mar, e no horizonte se vai...

Amargo estes meus medos em perdas quase
Inevitáveis, nem te falei que nunca quis esta
Ausência, nem sei se entenderias...

E à noite, conversando com as estrelas, sob a
Luz prata da lua, senti um frio cortante e o
Silencio realçava as sombras...

Conto os minutos que não passam,
Sob a translação vejo o dia chegando,
Sem raiar teus olhos em mim.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Passos


Não falei tudo que penso,
Nem seria preciso, pois
Cada poro fala por si.

E na chuva fina que caiu,
Deixei meu sorriso escondido,
Mas não era nenhum segredo...

Estes fatos constatados,
De olhares  desiludidos,
São como ruínas remotas...

Enfim o sol se pôs esplêndido,
E finalmente o dia chegou ao
Fim: silencio ruas afora.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Verão










I

Das paredes laterais descem os ramos da samambaia,
E o musgo esconde as pedras do muro, desce ao solo
Este lamento verde, no flamboyant um pequeno
Rouxinol tece seus pertinentes comentários...

O gato preguiçosamente observa do chão,
Mas naquela altura não parece boa refeição.
O sol deixa um rastro de comodismo e
Cansaço...

A sombra da goiabeira esfria a casa,
E nos corredores vazios e escuros
Nem fantasmas se fazem presente,
As janelas estão fechadas.

Na porta da frente uma aranha de jardim faz
Sua teia e o tempo suspira em sua trama,
Artesanal relógio eloquentemente exposto,
Em detalhe da tela principal...

No jardim cresce o capim, sufocando as
Flores e a borboleta amarela pousa na
Margarida, que levemente dança sob o
Impulso do vento sul...

 O telhado está ruindo na cozinha,
E a poeira toma todo o piso, daquela
Fresta se pode ver sol e lua...
Sol... e lua.
( Leve penugem se escapa de algum ninho.)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Tarde ao Mar



Do alto do farol do Cabo Branco olho o mar,
E fico calado enquanto desliza a correnteza
Para outras praias...

E no azul perco todos os sentidos, na dimensão
Misteriosa do oceano, enquanto vislumbro meu
Vastíssimo mundo interior...

Há ainda o céu, que ao longe confunde-se com o
Mar e neste vórtice meus pensamentos tristes
Se vão... e neste vazio fica minha mente opaca.
( Onde estão os sonhos alegres de bronze?)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Reflexos


Reflete o sol nas águas verdes da lagoa,
Faíscas prateadas alegremente saltam,
Aos rostos cansados que ali passam...

Reflete o transito nas lentes dos meus
Óculos e a vida passa por segundo em
Cada indescrito transeunte...

Refletem as formas onduladas, nos
Espelhos inquebráveis da memória,
E nos olhos sorrisos eternizados.
  ( Ainda assim choram as horas.)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Constelações


 “I don't feel alright
In spite of these comforting sounds you make.”
Birdy

Soltei pedrinhas nas águas calmas do lago
E vi se propagarem as ondas...

Fechei os olhos e senti uma leve brisa,
Ergui os olhos ao senhor meu Deus...

E todas as palavras se calaram,
Estava calmo novamente meu coração.

 Baixei a face em reverência e deixei
Caírem minhas lágrimas...

E nas estrelas acima são ínfimas estas
Marcas e a distância tão humana de Deus.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Obscuro Coração


Se são águas claras, então por que
Você as vê escuras ?

Se são sentimentos puros e verdadeiros,
Então por que você os suja com mentiras?

Não são sonhos os pesadelos alheios,
E não é um coração uníssono assim descompassado.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Destruição


No maremoto a correnteza arrasta tudo,
Vão-se todas as vidas em desalinho e no
Fundo do mar não fica pedra sobre pedra,
Perdem-se todas as orientações...

No terremoto todas as superfícies são
Varridas e todos os ângulos são um a
Um desfeitos, ficando somente a
Poeira e lágrimas humanas completas.

Por dia morrem milhares e outros tantos
Ficam incompletos, é uma rotina de milhares
De ossos, há milhares de anos, com milhões
De sofrimentos expostos ao sol...

Eu simplesmente morro. Em cada novo fio de
Cabelo branco, ao nascer de cada novo dia,
Em cada doença escondida que meu corpo
Carrega e em todos os erros inerentes ao meu ser.

Acabam-se os valores em todas as moedas.
As coisas quebram e tornam-se inúteis.
As imagens são ocas. E os exemplos não
Arrastam.

Morre o velho, o jovem e o menino.
Morre o bicho, a mata, e o rio.
Morre o sonho, a arguição e a
Esperança.

E nada fica. É irrevogável o ato de viver,
Com todas as suas dores e experiências
Na terra e particularmente doloroso é o
Fato puro e simples de existir: uma lástima.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Abrupto


Enquanto minha boca devora tuas palavras,
Deslizando no teu pescoço  como água
Descendo a montanha, emito apenas um
Leve som de ribeirinho...

Enquanto minha boca devora tuas curvas,
Vejo noutras dimensões um céu azul,
Incomparáveis cores perceptíveis
De olhos fechados...

E não, não ouso falar nada,
São transcendentes os arrepios
E pele definitivamente é
Intraduzível.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fragmentos


Nas paredes da estação,
Nos papéis perdidos pelo chão,
Em cada pedra solta  da calçada
E no suor escorrendo na testa...

Em cada pergunta sem resposta,
E no olhar misterioso e transparente,
Nem preciso fazer hipérboles para
Ter um certo tom de desespero...

Pois em cada andorinha que voa,
Também nas copas verdes das
Árvores e na incisiva lua no horizonte,
Além das nuvens que  espreitam...

E nos anúncios sonoros cacofônicos,
Vão-se os risos perdidos nesta tão
Incoerente sinfonia da cidade,
Que arde, arde tarde afora.

Pois no asfalto, na casa abandonada,
No banco da praça e na pausa para
Falar, sempre encontrarei uma
Relíquia, uma faísca tua.

sábado, 24 de novembro de 2012

Vitrum


Subindo altos picos verdejantes,
Em batimentos cardíacos desconcertantes,
As vezes tontos e extasiados,
Como seriam as manhãs de sol
Daqueles distantes planetas
Cujos nomes nem ousamos dizer?

Nem sei que direção seguir,
Quando olhando este horizonte azul
Me perco, em maravilhas que
Vislumbro além e calado vou sorrindo,
Planando na leveza desta feição que
Me fitando mostra borboletas coloridas...

Não me queixo destas turbulências,
Que limitam as altitudes dos que sonham,
Pois dos momentos tão eternos, destes
Voos sincronizados, ficam inapagáveis
Melodias nas harmonias diáfanas do ser.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Pouso


Saindo destas nuvens tarde a fora,
No sol quente derreteram minhas
Asas de Ícaro...

Sem pesares e sorridente vou caindo,
Descendo destas alturas que me
Levastes...

Fitando o azul do céu, o verde das
Árvores, enquanto velozmente
Me aproximo do chão...

Mas não, não são lamentos,
Nos lábios molhados trago
Um sorriso.

Enfim, não despenco, pouso
Na grama verde e de frente
Ao mar: eterno diálogo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Esquálido

               I
São sete lágrimas passageiras,
Derramadas pela morte
Sorridente...

São sete lamentos na lua nova,
Ecoando no escuro destas
Ruas tão imundas...

São sete irmãs ferinas,
Com seus nomes indizíveis,
E a poeira sobe na esquina.

                II


E as lágrimas para onde vão?
Brilhando azuis no escuro,
Subindo ao céu azul da madrugada.

Não sei das distâncias siderais,
Só entendo os centímetros que
Separam nossos rostos...

E das incontáveis estrelas faço
Mapa, para ir além destes tormentos
Que me obscurecem a alma.
( Silencio. Passa o cometa sombrio ao largo.)

07/12/2012.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Interligações


Entrelaçamentos das mãos,
São como  quando pássaros unidos,
Voam pelos céus azuis da tarde,
E no vento faceiro se vão os
Murmúrios incontidos  daqueles
Delicados corações...

Entrelaçamentos das pernas,
São como quando as árvores
Crescem juntas e dividem
Motivos para se erguerem,
Acariciando-se ao vento,
Enquanto a tempestade passa...

Entrelaçamentos dos lábios,
São como duas correntes marinhas,
Que se tocam e trocam temperaturas,
Desviando a lógica de seus percursos,
Arrastando e ensinando novos
Ímpetos, serenamente unificados.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dois Metais


No mercúrio das lâmpadas te destacas,
Indômita figura de olhos meigos,
Tuas curvas de bronze são precisas
E no frio da noite teu silencio é marcante.

No mercúrio das lâmpadas és eterna,
Leve ninfa de bronze, que repousa o
Pensar em abstrações indizíveis
E na noite seguem  teus solilóquios...

No mercúrio das lâmpadas és perfeita,
Simétrica irradiante projeção feminina,
No bronze atemporal de tuas formas,
Se perdem olhares dos passantes.
( E te aguardam as estrelas tão carentes.)

domingo, 2 de setembro de 2012

Calling


Calling winds from south,
Using words without sounds,
There is no pain in such
Refrain…

Calling thoughts in the deep night,
Holding breathing it is not that right,
While you are losing the meaning
Of wining wings to the south…

Calling shadows of the gray,
Stop singing this way,
Because you are just forgetting
The real refrain.

domingo, 26 de agosto de 2012

11 Graus ao Sul


Então te levam estes sons da madrugada,
Entre cada piscar de teus olhos tu ouves
Tua própria respiração...
E acima as nuvens vão passando iluminadas
Pelo azul da lua crescente e na atemporalidade,
Te perdes...
Em qual altitude, latitude ou longitude
Teus sonhos ficaram colados, como
Papel perdido na rua?
Tudo tão sólido e importante,
Nada permanente ou relevante,
Mas é preciso compor o quadro...
E a lua vai sumindo no horizonte,
Tua vontade é pegar carona na
Constelação de escorpião e mudar
Todo o ciclo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Espectro

I

Sempre quis cores de colibris
E suspiro de almas angelicais...
Mas sou roto animal,
Revestido de carne abissal.

Sempre quis o verde impreciso,
E as palavras certas dos sábios,
Mas sou correnteza fugidia,
Que se irradia conforme o certame...

Sou lamentavelmente óbvio,
Apesar do não dito, fica em cada
Palavra a sobreposição das falas,
Que ouvidos precisos captam...

Mas enfim, quis cores de girassóis,
Manhãs de azul infinito, portos tranquilos
E mares de azul profundo, porém ao sul,
As tonalidades são outras.


 II
  
Se eu fosse vento madrugada adentro,
Ou luz no desembarque do aeroporto,
Talvez então a efêmera importância
Das coisas não retirassem minhas rimas...

E se meu ser  fosse translúcido, pleno de
Luzes em matizes coloridos, como seria
Bom ser partícula divina, átomo nobre,
Co-criador do universo...

Se eu fosse mar , profundo azul irrequieto,
Verde incerto e vagas atemporais, então
Estaria mais condizente com o espelho
E no escuro fico triste com o que vejo.

Se eu fosse chuva, não uma específica,
Mas todas, uma chuva confortante de verão,
Ou a chuva inspiradora do inverno, quem
Sabe até a tempestade desesperadora dos náufragos...

Então não precisaria de traduções,
Nem de pedidos de desculpa,
Não precisaria de perdão,
Ou de lágrimas invisíveis ao sul.

Haicai

   Eu vejo o sol, Nas ondas brilham sonhos, Nada mais restou. 我见太阳, 梦在波间闪烁, 再无所余。 Wǒ jiàn tàiyáng, Mèng zài bōjiān shǎ...