domingo, 9 de dezembro de 2012

Destruição


No maremoto a correnteza arrasta tudo,
Vão-se todas as vidas em desalinho e no
Fundo do mar não fica pedra sobre pedra,
Perdem-se todas as orientações...

No terremoto todas as superfícies são
Varridas e todos os ângulos são um a
Um desfeitos, ficando somente a
Poeira e lágrimas humanas completas.

Por dia morrem milhares e outros tantos
Ficam incompletos, é uma rotina de milhares
De ossos, há milhares de anos, com milhões
De sofrimentos expostos ao sol...

Eu simplesmente morro. Em cada novo fio de
Cabelo branco, ao nascer de cada novo dia,
Em cada doença escondida que meu corpo
Carrega e em todos os erros inerentes ao meu ser.

Acabam-se os valores em todas as moedas.
As coisas quebram e tornam-se inúteis.
As imagens são ocas. E os exemplos não
Arrastam.

Morre o velho, o jovem e o menino.
Morre o bicho, a mata, e o rio.
Morre o sonho, a arguição e a
Esperança.

E nada fica. É irrevogável o ato de viver,
Com todas as suas dores e experiências
Na terra e particularmente doloroso é o
Fato puro e simples de existir: uma lástima.

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