segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Amanhecesses

Se meus olhos te alcançassem,

No mar azul dos teus lençóis,

Então o silencio seria o

Profundo lago do encontro,

Da comunhão de tantos

Sóis.


Mesmo assim, esquecido,

Te deixo o amanhecer,

A ternura inocente dos

Pássaros recém despertos,

O aconchego do mar

Tranquilo...


E sigo no dia, na companhia

De tantos verbos, de adjetivos

Pontuando a surpresa do que

É viver, mas nas entrelinhas

De quem sou, apenas se repete

O teu substantivo.

( Como bando de pássaros cruzando

O azul do céu dos teus lençóis. )


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Sempre Lá

Imagem descrição: Pintura a óleo
de um navio em mar agitado; o mar
é azul escuro, o céu ao fundo em tom
azul mais claro, o navio em tons de 
marrom, com velas brancas; nuvens 
brancas esparsas. Fim da descrição.
Naveguemos nestas noites abissais,

E na costa suja vamos contemplar

Os medos, as dores e as mortes

De tantos que sonharam como nós…


Mas, capitães resolutos, seguiremos

Adiante noite após noite, nascer do

Sol após nascer do sol e vem a chuva

Amenizando todas as tristezas…


E optamos pelo silêncio de todas as

Vozes, nossos olhares dizem o suficiente,

Nossas rugas e cabelos brancos revelam

As insônias de peito opresso…


E não tem fim o mar.

Não desaparece o olhar.

Não se pode esquecer a voz.

E coração não mente.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Arqueólogo


Tengo la arqueología de todo que se pasó,

Las antiguas canciones en los oídos,

Y en los ojos los cuadros de muchos

Atardeceres...

Pero hay silencio en el mar,

¿Qué cosa no dicen las olas?

Y aquellas palabras del poeta no me

Salen dela cabeza: "A las cinco de la tarde,

A las cinco en punto de la tarde..."

Porqué en el azul de Rio Vermelho,*

Yo mezclava las lágrimas al mar...

Pero hace mucho tiempo.

* Bairro do litoral de Salvador, estado da Bahia, Brasil.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Áfono

Gosto do silêncio,

De quando as árvores quietas olham o asfalto.

De quando o aço não retine.

De quando as gargalhadas sarcásticas não estão.

De quando a lamentação engasga.

De quando o cachorro da rua sorri.

De quando a chuva da tarde vem.

Das entrelinhas das ondas.

Da pausa antes do solo.

Mas o coração, esse não para, é um triste trovador.

sábado, 13 de março de 2021

Girassol

Não vou vangloriar todo este caos,

Nem destilar a tristeza dos miseráveis,

Não vou me espantar com a impunidade

Dos fascistas, dos corruptos, dos cínicos…


Vou procurar todos os caminhos do sol,

Girassol de sonhos bobos e esperanças

Juvenis, sorriso adolescente idealista,

A bandeira branca do renascer…


Não vou deixar de olhar as estrelas,

De buscar as entrelinhas nas imensidões

Do espaço, as evidências das recriações

Diárias…


Não vou fechar meus olhos à imensidão

Azul do mar, nem deixar de ouvir o vento,

Ou a chuva, vou recarregar minhas energias,

Em tudo que for infinito, como a vida.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Diamantes no Deserto

"Ya Sahra

(...)Lo eshev ve lo anuach

Siftotai lo ivoshu

Im ashir el hamidbar.


Music composed by Light in babylon."



Sento-me no deserto à noite,

As areias ancestrais cantam canções

Dos anciões e o vento amigo enleva

Os espíritos em abraços termais


Há um frio que invade o ser,

Adentra as retinas e procura

Na mente os acontecimentos

Perdidos na ampulheta.


Deito-me no berço e túmulo do oriente,

Ao sul vejo a tenda de meus dias inúteis,

E ao leste surgem todas as constelações,

Acima cintilam incontáveis estrelas…


São de matéria indefinível, brilham como

Diamantes, mas emanam energias criativas,

Partículas de mundos em diferentes etapas.

Me desfaço nas areias do deserto…


Entre em conjunção com o tempo,

Deslizo com os ventos pelas dunas

E pela misericórdia de Alláh alcanço

As tendas dos primevos beduínos.


Haicai

   Eu vejo o sol, Nas ondas brilham sonhos, Nada mais restou. 我见太阳, 梦在波间闪烁, 再无所余。 Wǒ jiàn tàiyáng, Mèng zài bōjiān shǎ...