sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fragmentos


Nas paredes da estação,
Nos papéis perdidos pelo chão,
Em cada pedra solta  da calçada
E no suor escorrendo na testa...

Em cada pergunta sem resposta,
E no olhar misterioso e transparente,
Nem preciso fazer hipérboles para
Ter um certo tom de desespero...

Pois em cada andorinha que voa,
Também nas copas verdes das
Árvores e na incisiva lua no horizonte,
Além das nuvens que  espreitam...

E nos anúncios sonoros cacofônicos,
Vão-se os risos perdidos nesta tão
Incoerente sinfonia da cidade,
Que arde, arde tarde afora.

Pois no asfalto, na casa abandonada,
No banco da praça e na pausa para
Falar, sempre encontrarei uma
Relíquia, uma faísca tua.

sábado, 24 de novembro de 2012

Vitrum


Subindo altos picos verdejantes,
Em batimentos cardíacos desconcertantes,
As vezes tontos e extasiados,
Como seriam as manhãs de sol
Daqueles distantes planetas
Cujos nomes nem ousamos dizer?

Nem sei que direção seguir,
Quando olhando este horizonte azul
Me perco, em maravilhas que
Vislumbro além e calado vou sorrindo,
Planando na leveza desta feição que
Me fitando mostra borboletas coloridas...

Não me queixo destas turbulências,
Que limitam as altitudes dos que sonham,
Pois dos momentos tão eternos, destes
Voos sincronizados, ficam inapagáveis
Melodias nas harmonias diáfanas do ser.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Pouso


Saindo destas nuvens tarde a fora,
No sol quente derreteram minhas
Asas de Ícaro...

Sem pesares e sorridente vou caindo,
Descendo destas alturas que me
Levastes...

Fitando o azul do céu, o verde das
Árvores, enquanto velozmente
Me aproximo do chão...

Mas não, não são lamentos,
Nos lábios molhados trago
Um sorriso.

Enfim, não despenco, pouso
Na grama verde e de frente
Ao mar: eterno diálogo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Esquálido

               I
São sete lágrimas passageiras,
Derramadas pela morte
Sorridente...

São sete lamentos na lua nova,
Ecoando no escuro destas
Ruas tão imundas...

São sete irmãs ferinas,
Com seus nomes indizíveis,
E a poeira sobe na esquina.

                II


E as lágrimas para onde vão?
Brilhando azuis no escuro,
Subindo ao céu azul da madrugada.

Não sei das distâncias siderais,
Só entendo os centímetros que
Separam nossos rostos...

E das incontáveis estrelas faço
Mapa, para ir além destes tormentos
Que me obscurecem a alma.
( Silencio. Passa o cometa sombrio ao largo.)

07/12/2012.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Interligações


Entrelaçamentos das mãos,
São como  quando pássaros unidos,
Voam pelos céus azuis da tarde,
E no vento faceiro se vão os
Murmúrios incontidos  daqueles
Delicados corações...

Entrelaçamentos das pernas,
São como quando as árvores
Crescem juntas e dividem
Motivos para se erguerem,
Acariciando-se ao vento,
Enquanto a tempestade passa...

Entrelaçamentos dos lábios,
São como duas correntes marinhas,
Que se tocam e trocam temperaturas,
Desviando a lógica de seus percursos,
Arrastando e ensinando novos
Ímpetos, serenamente unificados.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dois Metais


No mercúrio das lâmpadas te destacas,
Indômita figura de olhos meigos,
Tuas curvas de bronze são precisas
E no frio da noite teu silencio é marcante.

No mercúrio das lâmpadas és eterna,
Leve ninfa de bronze, que repousa o
Pensar em abstrações indizíveis
E na noite seguem  teus solilóquios...

No mercúrio das lâmpadas és perfeita,
Simétrica irradiante projeção feminina,
No bronze atemporal de tuas formas,
Se perdem olhares dos passantes.
( E te aguardam as estrelas tão carentes.)

Haicai

   Eu vejo o sol, Nas ondas brilham sonhos, Nada mais restou. 我见太阳, 梦在波间闪烁, 再无所余。 Wǒ jiàn tàiyáng, Mèng zài bōjiān shǎ...