sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fragmentos


Nas paredes da estação,
Nos papéis perdidos pelo chão,
Em cada pedra solta  da calçada
E no suor escorrendo na testa...

Em cada pergunta sem resposta,
E no olhar misterioso e transparente,
Nem preciso fazer hipérboles para
Ter um certo tom de desespero...

Pois em cada andorinha que voa,
Também nas copas verdes das
Árvores e na incisiva lua no horizonte,
Além das nuvens que  espreitam...

E nos anúncios sonoros cacofônicos,
Vão-se os risos perdidos nesta tão
Incoerente sinfonia da cidade,
Que arde, arde tarde afora.

Pois no asfalto, na casa abandonada,
No banco da praça e na pausa para
Falar, sempre encontrarei uma
Relíquia, uma faísca tua.

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