quinta-feira, 29 de abril de 2021

Áfono

Gosto do silêncio,

De quando as árvores quietas olham o asfalto.

De quando o aço não retine.

De quando as gargalhadas sarcásticas não estão.

De quando a lamentação engasga.

De quando o cachorro da rua sorri.

De quando a chuva da tarde vem.

Das entrelinhas das ondas.

Da pausa antes do solo.

Mas o coração, esse não para, é um triste trovador.

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