sábado, 22 de março de 2014

Terrestre

                              
                                  I

Deito-me e cobre-me o manto desta noite longa,
São página e páginas desconhecidas de horizontes
Infinitos, mitos, mitos sorridentes agonizantes na
Penumbra da memória.

Não ouso fisicamente deixar este corpo, mas fecho
Os olhos, para ver muito além destas paredes, ouço
Quieto os sons do mundo, entre palavras perdidas,
Aridez suja e cruel das ruas, calafrio.

Meninas estropiadas egocêntricas nada sabem,
Vegetam e arrotam sabedoria mundana nada
Demais, está na pele, mas elas sacodem as
Bandeiras como se fossem um país invasor!

Homens desformatados, seguem seus caminhos
Cheios de ódio e desilusão, estão mortos em dias
De retalhos, cacos, restos sociais: metas, metas
Sem valor, vácuo formalizado por todos.

Nas ruas os olhares que cruzam são preconcebidos,
Já me conhecem, já definiram, marcaram como em
Um espelho a própria inaptidão e cospem um desdém,
Ou medo, ou lascívia, sôfrega necessidade de perfeição.

Quero dormir e os olhos no concreto do teto veem um
Universo todo, atravessam todas as estruturas físicas
E fitam a galáxia distante, estrelas, planetas, lares
No paralelismo da vida... lamento nada ouvir.

( E como nada escuto, também nada revelo.)

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